Onde investir no segundo semestre

19 de julho de 2021 ÍndicesInvestimentosMercados Básico

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Onde investir no segundo semestre

Beatriz Lopes e Felipe Piller

O Ibovespa, principal índice da Bolsa, opera com leve perda em julho – até o dia 19, tinha queda de 2%, na faixa dos 124 mil pontos. O dólar, por sua vez, avançou 5,29% no mesmo período, cotado a R$ 5,24. Esse movimento reflete a instabilidade em relação ao cenário político no Brasil e preocupações com as variantes de Covid-19 no exterior.

No cenário doméstico, segue no radar dos investidores no segundo semestre as movimentações políticas em meio à CPI da Covid-19 – o que pode refletir nas eleições de 2022. O contexto fiscal de gastos do governo x arrecadação mostra melhoras, mas de acordo com a XP Investimentos, pode se deteriorar novamente. Por isso, esse é outro ponto de atenção do mercado.

Os analistas da XP avaliam que os investidores estrangeiros – que têm a maior fatia de participação na Bolsa Brasileira, de 22,7% – devem manter uma carteira mais defensiva nos próximos meses, “com exposição a empresas de alta qualidade e de crescimento, e com uma baixa exposição aos grandes setores da Bolsa, como os setores de Bancos e Commodities”.

No entanto, existem diversas estratégias para investir. De acordo com  Beatriz Prata, assessora de investimentos da SVN, mesclar renda fixa e variável pode ser um caminho para ter uma carteira com exposição moderada ao risco e uma boa rentabilidade. Ela aconselha a diversificação da carteira entre diversos ativos, e faz uma análise do atual cenário político/econômico para destacar algumas estratégias  para o momento.

Taxa de juros no Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu duas altas consecutivas na Selic, que está a 4,25% no ano. A expectativa do mercado é que a taxa básica de juros termine dezembro em 6,75%. 

“Agora em julho, estamos em um momento de aumento das taxas de juros. Com essa base, temos perspectiva do que será daqui pra frente”, afirma Beatriz. Diante do cenário, ela avalia que os títulos atrelados à Selic ficam mais atrativos. Uma opção é a contratação de um CDB pós-fixado, por exemplo, ligado à taxa DI (taxa do CDI) que permanece sempre 0,1% abaixo da Selic. 

Outro ponto é a inflação medida pelo IPCA, que acumula alta de 8,35% nos últimos 12 meses e que deve terminar 2021 em 6,31%.

Embora a escalada da inflação não seja positiva no contexto econômico, quando o tema é investimentos, os títulos do Tesouro atrelados ao IPCA são beneficiados. Além do IPCA, esses títulos contam com a remuneração de uma taxa que varia aproximadamente entre 4% e 5%. “Ou seja, além de garantir o poder do dinheiro aplicado, o investidor ainda conta com um retorno real – já com  o desconto da inflação – podendo rentabilizar até 13% ao ano”, diz Beatriz. 

Para os investidores que têm apetite por maior parcela de risco, a Bolsa de Valores pode ser uma opção. No primeiro semestre de 2021, o Ibovespa fechou com alta de 6,54%, em cerca de 126 mil  pontos. Baseado nas hipóteses do final deste ano, e levando em consideração o cenário atual, a XP atualizou a previsão para dezembro em que a Bolsa vai estar a 145 mil pontos. 

“É bom aproveitar essa baixa para comprar. Se está caindo e sem grandes acontecimentos, é hora de comprar. Quando sobe, é o momento de vender”, conclui Beatriz. 

Ações

A atividade econômica do Brasil mostrou resultado positivo no segundo trimestre em meio à reabertura econômica como reflexo da campanha de vacinação contra a Covid-19. De acordo com a XP Investimentos, a melhora na nas perspectivas econômicas devem refletir no aumento de lucro das  empresas. Nesta quarta-feira (21) começa a temporada de divulgação dos balanços financeiros – referente ao segundo trimestre – das companhias de capital aberto. 

De acordo com relatório da XP, assinado por Fernando Ferreira e Jennie Li, alguns setores podem ser destaque: 

Commodities: as matérias-primas, como minério de ferro e soja, são beneficiados pela demanda global aquecida. Apesar da valorização do Real frente ao dólar durante o trimestre, os preços das commodities continuaram em patamares altos, com o índice CRB registrando uma alta de +9,7% no período;

Tecnologia: depois do avanço dos últimos trimestres, o segmento de ecommerce deve apresentar uma desaceleração por conta da flexibilização das medidas de restrição de circulação, mas as empresas ainda devem registrar um crescimento sólido dos resultados.

Varejo: os estabelecimentos físicos que foram duramente afetados pela pandemia devem se beneficiar diretamente da aceleração da vacinação e do afrouxamento das restrições de mobilidade;

Bancos: resultados devem ser impulsionados por menores provisões de inadimplência e aumento na receita de serviços impulsionada por maiores volumes devido à retomada da economia.

Para informações mais detalhadas e sugestões personalizadas para a formação da carteira de investimentos, contate um assessor da SVN.