O que são investimentos em Renda Variável?

22 de outubro de 2021 Bolsa de valoresInvestimentos Básico

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O que são investimentos em Renda Variável?

Boris Bellini —

O termo Renda Variável é a modalidade de investimento na qual não é possível saber qual será a rentabilidade do ativo adquirido. Na verdade, nem mesmo um retorno positivo pode ser garantido. O atrativo é a possibilidade de ganhos maiores daqueles encontrados na Renda Fixa. Para aplicações de longo prazo, índices sujeitos a variação – como o Ibovespa – tendem a ultrapassar os ganhos da poupança e do Tesouro Direto. No entanto, não há nenhuma garantia de rentabilidade. 

As ações negociadas na Bolsa de Valores estão entre os ativos mais populares da renda variável. Também há outras classes, como moedas estrangeiras, ouro e commodities.

Tipos de investimentos em renda variável

Ações

Quando uma companhia tem o intuito de captar recursos, ela pode abrir seu capital na Bolsa de Valores. A partir de então, não há mais um único dono à medida que todos os investidores que adquirem as suas ações – ou papéis – se tornam sócios do negócio. Para serem atrativas no mercado, as empresas têm de apresentar fundamentos sólidos e um plano de investimentos bem estruturado.

Os ativos são divididos em dois tipos: ações ordinárias (ON), que dão direito a voto nas reuniões de acionistas da empresa; e as preferenciais (PN), sem o mesmo direito, mas com preferência no recebimento de dividendos.

No pregão da B3 também são negociadas units, conjuntos formados por ações ordinárias e preferenciais. Não há uma distribuição padrão, existem units com uma ação de cada e outras com 1 ON e 4 PN, por exemplo. Nesse investimento, o acionista conta com as duas vantagens: direito a voto em assembleias e preferência para receber dividendos.

Como encontrar cada ação no pregão

Quando o investidor for pesquisar por algum papel para compra, deve usar o ticker, ou código composto por 4 letras usado para identificar os papéis na Bolsa. Nas ações ordinárias (ON), o número 3 é o último dígito, ações preferenciais (PN) terminam com 4 e as Units fecham com 11.

Como funciona a rentabilidade das ações?

É comum algumas empresas distribuírem parte do seu lucro para os acionistas por meio de dividendos. Geralmente, ao menos 25% do lucro é compartilhado, e o investidor já tem uma forma de receber retorno do ativo.

Uma das formas de investir em ações é focar no longo prazo. Para isso, uma série de fundamentos da empresa são analisados, além da situação macroeconômica na qual está inserida. Quando é identificado um bom potencial de crescimento no longo prazo, aliado a um nível de risco aceitável pelo investidor, o ativo pode ser considerado atrativo. A estratégia é conhecida como buy and hold, ou seja, comprar e segurar.

Outro caminho para ganhar dinheiro é adquirir as ações por determinado valor para vender quando a cotação subir. Isso pode ocorrer várias vezes no mesmo dia, é o chamado day trade. Independentemente da forma escolhida para investir no mercado acionário, é importante conhecer a empresa em que se investe e o seu potencial de crescimento.

Como saber se vale investir em uma empresa?

Também olhando o longo prazo, há investidores que optam por comprar papéis de empresas com forte potencial de valorização com base na análise fundamentalista. Por outro lado, existe a análise técnica, que com base em dados se propõe a identificar o movimento futuro de um determinado ativo ou índice. 

Vale destacar, no entanto, que a renda variável abarca outros tipos de investimentos além das ações, como vamos ver a seguir. 

Fundos de Investimento

A Bolsa de Valores do Brasil negocia papéis de mais de 400 empresas. E esse número só cresce. Diante de tantas opções, escolher os ativos certos para compor a carteira pode ser um desafio. 

Os fundos de investimentos são um caminho para lidar com essa situação. Nessa modalidade, os ativos são adquiridos em conjunto por investidores que compram cotas do fundo. Ganhos e perdas são distribuídos proporcionalmente à quantidade de cotas.

Uma das vantagens é a administração feita por gestores especializados. Além disso, geralmente os ativos são diversificados, o que diminui o potencial de risco dos investidores. Também há fundos que oferecem cotas com valores acessíveis. A categoria de fundos engloba tipos específicos de veículos, como vamos ver a seguir. 

Fundos de Ações

Os fundos de ações possuem ao menos 2/3 de seu patrimônio aportados no mercado acionário. Esses investimentos podem, por exemplo, replicar os próprios papéis, cotas de outros fundos de ações ou BDRs – recibos de ações internacionais negociados na B3.

Fundos de ações podem ser uma boa estratégia para quem não possui tempo hábil ou conhecimento suficiente na hora de pesquisar e escolher empresas para investir. Além disso, também são opções para quem busca diversificação no mercado, mas não tem dinheiro suficiente para fazer isso por conta própria.

Fundos Multimercados

Como vimos até aqui, a renda variável se refere a diversos tipos de investimentos. Essa característica é explorada pelos fundos multimercado, que investem em diferentes classes de ativos, inclusive de renda fixa. O funcionamento é o mesmo de outros fundos – investimento coletivo dividido em cotas que ganham ou perdem valor de acordo com o desempenho da carteira gerida por um profissional.

A vantagem dos multimercados, está na facilidade de diversificar os investimentos. Ou seja, o investidor pode diminuir o risco da carteira ao investir em ativos  variados.

Por exemplo: uma ação adquirida pelo fundo passa a perder valor, mas o gestor encontra uma boa oportunidade em contratos futuros de dólar. A troca pode ser realizada e as cotas continuam apresentando resultado positivo.

Fundos Imobiliários (FIIs)

Também é possível investir em imóveis na bolsa de valores. Os fundos de investimento imobiliário (FIIs) oferecem essa possibilidade. Eles são administrados por corretoras ou por gestoras e têm suas cotas negociadas no pregão da B3. Como juntam aplicações de muitas pessoas, esses fundos conseguem negociar bons imóveis e oferecer retornos que dificilmente o investidor conseguiria sozinho.

Há diferentes tipos de FIIs: 

  • tijolo (ou de renda), que investem em imóveis diretamente e costumam ter renda com aluguéis; 
  • papel (ou de recebíveis), aqueles que investem em títulos do mercado imobiliário, podendo adquirir até mesmo cotas de outros FIIs; 
  • híbridos, quando a carteira é composta tanto por papéis quanto por imóveis de fato.

Quando se trata de fundo de tijolo, geralmente os locais adquiridos são alugados e garantem ganhos mensais aos cotistas. Porém, os administradores do fundo também podem vender os imóveis por valores maiores que os de compra, o que reflete em lucro para o cotista. 

Fique de olho! O maior shopping de uma cidade ou um prédio corporativo espelhado que chama atenção no meio da paisagem cinza podem ser administrados por fundos imobiliários – ou seja, é possível investir neles.

ETFs

Além dos investimentos imobiliários, também é possível aplicar em diferentes ativos de renda variável por meio de fundos, como os ETFs. A sigla vem da língua inglesa e significa Exchange Traded Fund. Eles replicam a composição de índices financeiros, como o Ibovespa, da bolsa brasileira, e o S&P 500, que inclui as 500 principais empresas listadas nas bolsas Nasdaq e NYSE – ambas dos Estados Unidos.

Além de acompanharem o desenvolvimento de índices considerados referência, os ETFs oferecem a possibilidade de realizar investimentos internacionais a partir do Brasil. As cotas desses fundos são negociadas no pregão da bolsa, assim como os FIIs.

Moedas

O investimento em moedas estrangeiras também está relacionado à renda variável. Trata-se de uma opção válida para o investidor que vê a possibilidade de valorização do dinheiro de outro país frente ao real. Também pode ser usado para proteger o patrimônio das oscilações da economia brasileira.

No pregão da B3, é possível investir em contratos e minicontratos futuros de dólar. São acordos que valem tanto para compra quanto para venda da moeda norte-americana, sempre realizados em um data futura, com valor pré-determinado.

Outra forma de investir em moedas estrangeiras é por meio dos fundos cambiais, que possuem pelo menos 80% do patrimônio concentrado nesses investimentos. Além dessas opções, também é possível comprar o papel moeda e esperar a valorização para vendê-lo.

Criptomoedas

Apesar de evitarem a descentralização, ou ativos que não tem lastro, a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) já tem regras para o investimento em criptomoedas. O órgão permite que fundos realizem apenas aplicações diretas em cotas ou derivativos de outros fundos internacionais – contanto que também sejam regulamentados em seus países de origem.

Com estrutura totalmente digital, as criptomoedas são códigos de programação que se convertem em valores. A segurança desses ativos é feita com criptografia ou blockchain – tecnologia desenvolvida para garantir a inviolabilidade das transações.

Ouro

A Bolsa de Valores oferece, ainda, a possibilidade de investir em ouro. O metal pode ser negociado em gramas ou por meio de contratos. Seu valor sofre oscilações de acordo com as condições do mercado.

Vantagens e riscos de investir em renda variável

A principal vantagem oferecida pela renda variável é a possibilidade de retorno maior que na renda fixa. Afinal, as empresas listadas em bolsa podem, por diversos motivos, ter as suas ações valorizadas.

Ao procurar a renda variável para diversificar a carteira, o investidor encontra diferentes classes de ativos. Também há um grande número de empresas atuando em diversos setores. Vamos considerar esse exemplo: um investidor que acredita no potencial de crescimento da construção civil pode adquirir ações de construtoras, de produtoras de cimento e cotas de determinados fundos imobiliários.

Outra vantagem é a possibilidade de escolher investimentos com prazos muito curtos ou focar em períodos longos. Um dos maiores investidores do mundo, o guru Warren Buffett, é conhecido por realizar investimentos de longo prazo em ações. 

Já as operações de day trade podem durar um dia ou até mesmo poucas horas. Na renda variável também é possível receber proventos com certa frequência, como dividendos, juros sobre capital próprio e bonificações.

A principal desvantagem desses investimentos é que não há nenhuma garantia de que retornos positivos serão atingidos. Existe, inclusive, a possibilidade de perder todo o dinheiro investido. Em contrapartida, diversas estratégias buscam segurança para aplicações em renda variável. Uma das principais formas de proteção de capital é diversificar os investimentos. Ou seja, adquirir diferentes ativos para que, quando houver queda significativa em um deles, o balanço total da carteira ainda seja positivo.

Diferença entre renda fixa e renda variável

A renda fixa oferece a possibilidade do investidor saber, desde o início, qual será o seu retorno. Os rendimentos são anunciados com base em índices da economia, como o IPCA, a taxa SELIC ou o CDI. Já na renda variável, não é possível saber previamente nem mesmo se haverá ganho – no entanto, há a possibilidade de um papel disparar e multiplicar o lucro em pouco tempo. 

É importante que cada pessoa conheça o seu perfil de investidor. As mais conservadoras preferem se concentrar na renda fixa. Já quem se identifica com um perfil moderado ou agressivo tende a lidar com mais facilidade com a volatilidade da  renda variável.

Quanto dinheiro eu preciso para investir em renda variável?

Não existe um valor mínimo para começar a investir, mas é importante observar alguns aspectos. As ações, por exemplo, costumam ser comercializadas em lotes de 100 unidades. Então, ao encontrar uma empresa com papéis cotados a R$ 5,00, um lote padrão custará R$ 500. Há fundos de ações com investimento inicial em torno da mesma faixa.

O investidor também pode optar pelo mercado fracionário. Nele, os lotes são divididos, e é possível adquirir entre 1 e 99 ações. Porém, os preços e a liquidez tendem a ser diferentes do mercado padrão. Além disso, com uma quantia baixa de dinheiro, é mais difícil realizar a principal estratégia de segurança dos investimentos: a diversificação. Nesse caso, o caminho mais indicado são os fundos de investimento. 

No caso dos FIIs, não existem lotes. Então, é possível adquirir cotas cujos valores variam.  

É importante ter em mente as taxas cobradas pela corretora para que ela faça a intermediação do investimento. Portanto, a taxa de corretagem deve sempre ser incluída no planejamento do investimento. 

A mesa de renda variável da SVN conta com profissionais qualificados aptos para aconselhar as melhores estratégias de acordo com o perfil e os objetivos de cada investidor. Entre em contato com um dos nossos assessores.