O que é follow on de ações?

22 de dezembro de 2021 Bolsa de valoresÍndicesInvestimentos Básico

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O que é follow on de ações?

Boris Bellini* —

O follow on acontece quando uma empresa que já possui capital aberto decide oferecer mais ações na Bolsa de Valores. Esse processo também é chamado de oferta subsequente, e pode acontecer de formas diferentes, como detalhado a seguir.

Para conhecer o follow on a fundo, é importante saber a diferença entre ele e a oferta pública inicial, ou seja, quando uma empresa passa a negociar as suas ações na Bolsa pela primeira vez. Esse processo é conhecido pela sigla em inglês IPO

Ao pesquisar imagens de IPO’s na internet, facilmente se encontra fotos de comemorações. Trata-se de um momento realmente festejado, afinal, além de ser um passo importante na história da empresa, só pode ocorrer uma vez, já que é a oferta inicial.

Após abrir capital na Bolsa, toda nova oferta de ações será subsequente – esses são os follow on.

O que é follow on de ações?

O follow on não costuma ser acompanhado por festas, pois ocorre quando a empresa já oferta ações na Bolsa. Em determinado momento, uma companhia pode considerar importante para sua estratégia aumentar a quantidade de papéis no mercado, então ela parte para o follow on.

A oferta subsequente também pode ocorrer quando um ou mais acionistas majoritários decidem encerrar sua participação na empresa. Vamos entender, então as diferenças entre os tipos de follow on.

Oferta Primária

Momento em que uma empresa decide colocar novas ações no mercado. O dinheiro levantado vai direto para o caixa da companhia, e geralmente é usado para expandir os negócios. Como novos papéis são criados, a base de acionistas fica maior – o que aumenta o capital social.

Oferta Secundária

É importante saber que um follow on não se refere necessariamente a novas ações emitidas pela companhia. Há momentos em que um ou mais dos principais acionistas do negócio decidem encerrar suas posições. Como essa venda coloca um volume significativo de ações no mercado, ocorre uma oferta secundária, que também é considerada follow on.

Nesse caso, o dinheiro arrecadado não vai para a empresa. São ações que já existiam e eram propriedade de um investidor, então, é ele quem recebe os ganhos. A oferta secundária não influencia o capital social da companhia.

A oferta pública secundária pode causar dúvidas, já que é o momento em que um acionista importante ou mesmo o empreendedor do negócio resolve deixar a empresa. Por que justamente essas pessoas perderiam interesse no investimento? Há diferentes razões. Por exemplo, as ações podem ter passado por um período de alta valorização, a ponto de ser interessante para um investidor vendê-las e lucrar com esse negócio. Outro exemplo, é o investidor majoritário decidir levantar recursos para investir em novas oportunidades.

Em resumo: oferta primária e secundária são as duas possibilidades existentes de follow on.

Há, ainda, outros dois tipos de oferta. Nesse caso, o que muda são as regras em relação à entrada de investidores no negócio: 

Oferta Pública

Quando o follow on pode ser aberto a todos os investidores da bolsa de valores, trata-se da oferta pública. Nesse caso, o processo precisa ser registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que possui regulamentos específicos para a modalidade. Há uma série de burocracias que a empresa deve cumprir, o que garante segurança e transparência.

Oferta Restrita

Quando uma companhia decide fazer follow on, ela pode optar pela oferta restrita. Aqui as ações são oferecidas para, no máximo, 75 investidores profissionais, aqueles que têm mais de R$ 10 milhões investidos no mercado financeiro. O negócio só pode ser efetivado com até 50 dessas pessoas. O procedimento também é regulado pela CVM, mas como não se trata de oferta pública, o volume de burocracias a cumprir é menor.

Por que empresas fazem follow on?

Existem dois benefícios importantes para as companhias que realizam follow on. Um deles é o aumento da liquidez de suas ações. Independentemente de acontecer por oferta primária ou secundária, a quantidade de papéis em circulação na Bolsa aumenta significativamente, gerando mais oportunidades de negócios.

Quando se trata de uma oferta primária, há um benefício importante que é a captação de recursos. Com mais dinheiro em caixa, a empresa pode realizar expansões, projetos ou adquirir outras companhias, por exemplo.

Como saber quando uma empresa fará follow on?

Existem três caminhos para saber quando um follow on vai acontecer:

  • Acessar o site da companhia, especialmente a página de relacionamento com investidor. É por lá que essas informações são divulgadas.
  • Acompanhar os comunicados oficiais da CVM, onde ofertas de ações também são publicadas.

Quais são os efeitos para quem já é acionista da empresa?

Quando uma empresa faz follow on por meio de oferta primária, geralmente o objetivo é expandir o negócio. Se a estratégia for bem-sucedida, seus resultados futuros são impactados positivamente, o lucro cresce – assim como os dividendos distribuídos aos acionistas – e os papéis tendem a valorizar.

Como citado anteriormente, uma oferta de follow on aumenta a liquidez das ações comercializadas em bolsa. Com isso, fica mais fácil comprar ou vender papéis da empresa.

Quem já é investidor da companhia passa por um lado negativo: a diluição acionária. Isso ocorre quando a participação no capital social diminui. Por exemplo, se um acionista é dono de 1% das ações existentes, e a empresa dobra a quantidade de papéis em circulação, ele passará a ser dono de 0,5%.

Para evitar a diluição, o investidor pode comprar mais papéis, na proporção necessária para manter sua posição acionária. Entretanto, esse movimento requer uma destinação de recursos que pode ou não ser interessante – depende da estratégia de investimentos de cada pessoa.

A mesa de renda variável da SVN conta com profissionais qualificados aptos para aconselhar as melhores estratégias de acordo com o perfil e os objetivos de cada investidor. Entre em contato com um dos nossos assessores.

*Sob supervisão de Priscilla Arroyo