O que é e como funciona a renda fixa?

07 de dezembro de 2021 EconomiaInvestimentos Básico

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O que é e como funciona a renda fixa?

Beatriz Lopes* — 

Se o investidor busca estabilidade e segurança nos rendimentos, é na Renda Fixa que ele encontra as melhores opções de aplicações. Nesta modalidade, a rentabilidade é previsível, e, além disso, é flexível diante dos objetivos propostos. 

Este costuma ser o primeiro tipo de investimento de quem está começando no mercado financeiro. Por isso, a maioria dos investimentos de renda fixa são voltados para investidores de perfil conservador – aqueles que buscam ganhos reais, mesmo que com menor rentabilidade, para não correr grandes riscos. 

O investimento é realizado diretamente em Títulos Públicos e Privados de Renda Fixa. A partir do momento que um título de Renda Fixa é comprado, o investidor está emprestando o dinheiro ao emissor do papel – um banco, empresa ou o Governo. Em troca, é dada uma remuneração na forma de juros, pelo período em que o recurso ficou emprestado. Os prazos, taxas, índices de referência, todo e qualquer detalhe sobre a transação já são pré-definidos.

Entretanto, o investimento em renda fixa não garante retorno e também está sujeito a riscos de mercado e de crédito.

Existem vários tipos de investimentos de renda fixa, que são caracterizados de acordo com objetivos, risco, emissor, rentabilidade etc. Entre eles, estão: Poupança, CDB, Tesouro Direto, LCI e LCA, Debênture, Letra de Câmbio, CRI/CRA

Poupança

Apesar da baixa rentabilidade, a poupança é o investimento preferido dos brasileiros, devido a segurança que ela proporciona. Além disso, as regras e a rentabilidade são todas definidas pelo governo. Sendo assim, não há taxa de aplicação e nem pagamento de Imposto de Renda (IR). O investimento rende aproximadamente 70% da Taxa Selic, e o valor deve ser resgatado na data de aniversário do último depósito.

Desde maio de 2012, a regra de rendimento da poupança que prevalece é: caso a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês mais a variação da TR; ou, se estiver igual a ou abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será equivalente a 70% da Selic mais a variação da TR. Então, o investidor que manter poupanças anteriores a 2012, continua recebendo rendimentos como antigamente: 0,5% ao mês mais a variação da TR.

CDB

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) são títulos emitidos por instituições financeiras. Ao investir em um CDB, o cliente empresta dinheiro para o banco, e recebe uma remuneração baseada no percentual de um índice de referência, o CDI – geralmente, algumas instituições oferecem mais de 100% do CDI. 

É um investimento seguro e prático. Porém, os rendimentos dos CDBs são tributados no Imposto de Renda de acordo com a tabela regressiva, de 22,5% a 15,0%. Além disso, possuem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – organização privada, sem fins lucrativos, que visa a proteção de instituições financeiras e de investidores contra crises bancárias sistêmicas. O valor total coberto é de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é formado por títulos públicos emitidos pelo Governo Federal – o investidor empresta dinheiro para o governo e recebe juros de remuneração pelo empréstimo. Esses títulos oferecem rentabilidade superior à poupança e são tão seguros quanto, pois têm risco soberano. Isso porque o investidor só perde o dinheiro caso o país entre em falência. 

Há três modalidades no Tesouro Direto: 

  • os prefixados – Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais; 
  • pós-fixados – Tesouro Selic; 
  • híbridos, atrelados com a inflação – Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais.

Entre as taxas cobradas nestes títulos, estão a tarifa de custódia paga à B3, que organiza o sistema do Tesouro Direto e a de administração de banco ou corretora que faz a intermediação das operações. O investimento também inclui o pagamento de IR e IOF em taxas regressivas.

LCI e LCA

Letra de Crédito Imobiliário (LCI) ou Letra de Crédito Agrícola (LCA) são títulos emitidos por instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central. Trata-se de um investimento de renda fixa com lastro nos setores que os nomeiam. Ao investir nessa categoria, o investidor incentiva a atividade agropecuária e/ou imobiliária, segmentos que incentivam o desenvolvimento do País – por isso, os títulos têm isenção de Imposto de Renda (IR). 

Semelhantes aos CDBs, as letras de crédito pós-fixadas são mais comuns de serem encontradas no mercado.

Debêntures

As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas. O investidor pode adquirir esses papéis e ser recompensado por isso. As companhias, por sua vez, usam os recursos para financiar projetos. Costumam ter um vencimento mais longo que outros produtos de renda fixa – de cinco até dez anos -, podendo ter retornos prefixados, pós-fixados e híbridos.

O investimento é tributado pela tabela regressiva do IR – de 22,5% a 15%. Porém, as debêntures incentivadas, usadas para captar recursos para a realização de grandes obras de infraestrutura no país, são isentas da alíquota.

Letra de Câmbio

A Letra de Câmbio é um título emitido por uma instituição financeira. O rendimento pode ser atrelado ao CDI ou combinado com uma taxa fixa mais o IPCA. Os títulos podem ser negociados pelos registradores e emitidos com remuneração pré ou pós-fixada. 

CRI e CRA

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRA) incluem securitização, ou seja, transforma direitos de crédito – parcelas de um financiamento imobiliário ou o pagamento de aluguéis mensais, por exemplo – em papéis negociados no mercado financeiro. Ao comprar um CRI ou CRA, o investidor recebe juros como remuneração.

Vantagens X Desvantagens

Entre as principais vantagens da Renda Fixa, estão:

  • Rentabilidade
  • Segurança
  • Acessibilidade
  • Diversificação
  • Facilidade
  • Liquidez diária
  • Isenção de IR em algumas aplicações

Porém, assim como todo investimento, também possui suas desvantagens, como a carência. Alguns dos investimentos possuem prazo de carência, isso é, não pode ser resgatado antes da data estipulada. Se assim fizer, estará sujeito à multa por parte dos rendimentos. E outra, são as taxas e tributos que aplicações, como o Tesouro, cobram no momento do resgate. Essas costumam ser pagas por IR, Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ou taxa de custódia.

Rendimentos

O rendimento na renda fixa varia de acordo com o investimento escolhido, o prazo estabelecido e de emissor para emissor. Mas todos eles seguem um dos indicadores de referência: Selic, Certificado de Depósito Interbancário (CDI) ou Taxa Referencial (TR).

Taxa Selic: é a taxa básica de juros da economia brasileira, cujo valor é determinado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, periodicamente. A Selic serve de referência para o governo remunerar os investidores que compram títulos de dívidas, por exemplo. 

A poupança possui a Selic ligada diretamente à sua remuneração. Atualmente, rende 70% da taxa ao ano. E há o Tesouro Selic, título público negociado no Tesouro Direto que também paga a taxa básica, mais um acréscimo.

Certificado de Depósito Interbancário (CDI): representa a média de juros das operações de empréstimo de curto prazo realizadas diariamente pelos bancos entre si. Entre as aplicações que possuem o CDI como referência, destaca-se o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que oferece um percentual do CDI como remuneração. 

Por exemplo, em uma aplicação que pague 80% do CDI, ainda que o CDI renda 5% ou 10% ao ano, o investidor embolsará apenas uma fatia disso – nesse caso de 80%. O rendimento mínimo um investidor de renda fixa espera é de 100% do CDI. Caso haja isenção de impostos, um ativo de renda fixa pode render menos que 100% de CDI.

Taxa Referencial (TR): esse referencial corrige o rendimento da poupança. Além disso, é calculada a partir das médias das taxas dos CDBs prefixados, que são emitidos pelas instituições financeiras. 

Ou seja, a TR é utilizada para corrigir os valores ao longo do tempo – assim como pode servir como parâmetro um índice de inflação, por exemplo.

Tributação

Todos os investimentos de renda fixa seguem a mesma regra de tributação, pois estão sujeitos a uma tabela regressiva do Imposto de Renda, com alíquotas que diminuem de acordo com o prazo de vencimento. 

Os CDBs, fundos, debêntures, e outros  produtos de renda fixa possuem, até seis meses de aplicação do investimento, a alíquota máxima de 22,5%. De seis meses a um ano, cai para 20%; de um ano a dois, 17,5% e para mais de dois anos, a alíquota mínima é de 15%.

Mas há algumas exceções. Por exemplo, alguns investimentos de renda fixa são isentos de Imposto de Renda, como a poupança e as letras de crédito imobiliário e agrícola (LCI e LCA).

Já a alíquota do IOF varia de acordo com o número de dias que o dinheiro do investidor ficou aplicado. O investidor pode desembolsar percentuais que vão de 96% a 0% sobre o total de rendimento. Os demais aportes, com prazo superior a 30 dias, são isentos de cobranças do IOF. Ou seja, investimentos em renda fixa mantidos por mais de 30 dias, não pagam este imposto. 

Remuneração

Assim como a tributação, a remuneração dos investimentos de renda fixa depende do tipo de papel em análise.

Confira a dinâmica de cada modalidade:

Papel pré-fixado: os juros são fixos e estabelecidos no instante da aquisição. Assim, o investidor consegue saber quanto vai receber na data de vencimento.

Papel pós-fixado: a remuneração está ligada ao indicador de referência – Selic ou CDI – e o valor do título é atualizado com base na variação desses indicadores. O investidor sabe no momento da compra o indicador que irá balizar os seus rendimentos, mas não tem certeza do valor (em reais) que vai receber no momento do vencimento, pois a taxa pode sofrer alterações. 

Papel híbrido: são os que mesclam as características dos outros dois papéis anteriores. Sendo  assim, uma parte da remuneração é feita por meio de juros fixos, por um indicador que sofre variações. Um dos casos são os títulos atrelados à inflação, que possuem uma taxa pré-fixada mais a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ou outro índice. 

Renda Fixa X Renda Variável

Uma das dúvidas mais comuns entre investidores que estão iniciando no mercado financeiro, é saber se vão investir em renda fixa ou em renda variável. E as duas modalidades são bem distintas. 

Como já visto, na renda fixa, a remuneração é estabelecida desde o início da aplicação, já nos investimentos em renda variável, é o contrário – o investidor não tem como saber de antemão qual será a rentabilidade da aplicação. Além disso, os retornos são instáveis – um mês pode ser muito negativo, e o outro, muito positivo –  não tem como prever.

Vale destacar que os investimentos em renda variável sofrem mais impacto em relação aos acontecimentos no mundo – principalmente no cenário político e econômico. Na renda fixa, é possível ter maior previsibilidade em relação às remunerações, que acompanham as taxas de rendimento e têm prazo de vencimento.

Os investimentos em renda fixa também possuem níveis de risco diferentes – há opções tanto para investidores conservadores quanto para arrojados. Os de renda variável, por sua vez, têm alto nível de risco, e por isso são mais indicados para investidores de perfil moderado e arrojado.

As rentabilidades também seguem um índice de referência diferente. Enquanto a renda fixa é baseada no CDI e na taxa Selic, a renda variável tem como benchmark – ou índice de referência usado para avaliar a rentabilidade de um investimento – o IBOV para as ações, e o IFIX para os Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs), por exemplo.  

Investir em Tesouro Selic, Fundo DI ou CDB?

Entre os principais investimentos de renda fixa pós-fixados estão o Tesouro Selic, os Fundos DI e a maioria dos CDBs. Entretanto, eles têm diferenças em alguns pontos, e cabe ao investidor escolher qual o que mais se encaixa no seu perfil. 

Na rentabilidade, os títulos do Tesouro Selic possuem a remuneração taxada a partir da taxa Selic. Os papéis aplicados nos fundos DI são administrados por gestores, que cobram taxa de administração por selecionar os ativos e administrar os recursos. Sendo assim, dificilmente têm como obter retorno proporcional à Selic integral. Já os CDBs pós-fixados têm como remuneração um percentual da Selic ou da taxa do CDI. Podendo variar de acordo com a instituição – entre 80% e 100% do CDI. 

Outra diferença entre elas, além da rentabilidade, é a segurança. O CDB é o único destes investimentos que possui cobertura do FGC. Porém, mesmo sem essa cobertura, o Tesouro Selic é considerado seguro, pois o risco de crédito do governo é muito baixo. E os fundos possuem o patrimônio atrelado às instituições financeiras. Então, caso tenha algum problema com a corretora ou banco, os recursos aplicados seguirão seguros. 

A mesa de renda fixa da SVN conta com profissionais qualificados, aptos para aconselhar as melhores estratégias de acordo com o perfil e os objetivos de cada investidor. Entre em contato com um dos nossos assessores.

*Sob supervisão de Priscilla Arroyo