Mulheres adotam dinâmica assertiva de investimentos

07 de março de 2022 Dia Internacional das MulheresInvestimentos Básico

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Mulheres adotam dinâmica assertiva de investimentos

Estudo norte-americano mostra que, na média anual, a carteira delas rende em comparação com a dos homens. Diferença pode ultrapassar R$ 300 mil no longo prazo

Boris Bellini–

Pesquisa realizada pelo grupo norte-americano Fidelity Investments comparou os ganhos de carteiras geridas por homens e de mulheres. Os resultados apontam uma diferença de 0,4% a mais – em média – na rentabilidade delas

O estudo analisou 5,2 milhões de portfólios de clientes da Fidelity entre janeiro de 2011 e dezembro de 2020. Os resultados foram divulgados no relatório “Women and Investing Study”, do último trimestre de 2021.

À primeira vista, o número pode parecer baixo, mas o assessor de investimentos da SVN, Henrique Estela, criou duas carteiras teóricas para mostrar o que significa esse percentual (0,4%) no longo prazo. Ele chegou à conclusão que isso significa um acréscimo de R$ 350 mil no fim do investimento. A cifra equivale a um apartamento em São Paulo. Estela considerou os seguintes parâmetros:

  • Objetivo: aposentadoria.
  • Período de investimento: 29 anos.
  • Investimento inicial: R$ 200 mil.
  • Aporte mensal: R$ 4 mil.
  • Inflação anual: 4,5%.

Taxa média de retorno ao ano: 10% para a carteira de um homem e 10,4% para a carteira de uma mulher.

Simulação do desempenho da carteira de investimentos de um homem – resultado final de R$ 4,3 milhões. Cálculo Henrique Estela.

Simulação do desempenho da carteira de investimentos de uma mulher – resultado final de R$ 4,7 milhões. Cálculo: Henrique Estela.

Por que as mulheres investem melhor?

O principal motivo, de acordo com a Fidelity, está no fato de as mulheres mexerem menos na carteira. O estudo apontou que, em média, elas fizeram metade das compras e vendas de ativos que os homens. “O homem quer sempre o melhor investimento. Se alguém disser que um produto é o melhor, ele vai. A mulher, não”, afirma a professora da FGV, Myrian Lund. Ela explica que as trocas constantes nas carteiras ficam sujeitas a encargos que atrapalham a rentabilidade.

Para Myrian, o público feminino é menos impulsivo e competitivo. De acordo com ela, as mulheres se pautam muito mais por seus objetivos do que os homens e deixam os investimentos renderem. “A mulher pensa muito na família, nos filhos, no bem-estar de todos. Então, o próprio processo cultural influencia nisso.”

Fundadora da “As Investidoras”, onde dá aulas de educação financeira para mulheres, Júlia Abi-Sâmara acrescenta: “Antes de investir, elas pensam bastante, pesquisam bem, porque querem entender melhor. Se vão vender um ativo, também querem compreender se é uma boa decisão ou não”.

*Sob supervisão de Priscilla Arroyo