• Home
  • Conteúdo.
  • Investir no exterior é opção para driblar incertezas e diversificar a carteira

Investir no exterior é opção para driblar incertezas e diversificar a carteira

06 de janeiro de 2022 EconomiaInternacionalInvestimentos Básico

  • SVN Invest
  • SVN Invest

    Editor

Investir no exterior é opção para driblar incertezas e diversificar a carteira

Beatriz Lopes* — 

Neste momento de incertezas no cenário econômico, político e social que o Brasil está passando – referente à inflação alta e questões fiscais que ganham ênfase com a corrida presidencial em outubro -, os investimentos em território nacional se tornam instáveis e inconsistentes. É preciso muito mais atenção aos riscos e volatilidade, além de estar preparado para possíveis perdas a qualquer momento. 

Contextualizando, o Ibovespa – principal índice da Bolsa de Valores (B3) – fechou 2021 com queda de quase 12%, aos 104 mil  pontos. A Selic, taxa básica de juros, está em 9,25% ao ano. Já a inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), tem alta acumulada de 10,67% nos últimos 12 meses. 

Claro, existem caminhos e oportunidades para investir dentro deste cenário no País. Mas os investidores também podem optar – e estão preferindo – em aplicações internacionais. A valorização do dólar ante o real é uma das motivações para isso. A moeda norte-americana terminou 2021 com alta acumulada de 7,36%. 

Por estes motivos, cresce o número de brasileiros que procuram investir no exterior. No primeiro trimestre de 2021, as aplicações em fundos de investimentos de outros países tiveram um salto de 40,2%, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). 

Os três principais índices da Bolsa de Valores de Nova York – Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 – encerraram 2021 com ganhos anuais de 19%, 22% e 27%, respectivamente. O trio obteve lucros mensais, trimestrais e anuais, marcando assim, o segundo ano de recuperação da pandemia do coronavírus. E, mesmo com as incertezas e avanço de contaminação da variante Ômicron, os índices futuros sugerem um cenário positivo para o mercado financeiro norte-americano. 

Na primeira segunda-feira de 2022 (3), o Dow Jones Futuro abriu com saldo positivo de +0,37%; a S&P 500 Futuro, em +0,4% e o Nasdaq Futuro, em alta de +0,49%. Outro ponto, é que em 2022, o Federal Reserve visa elevar as taxas de juros várias vezes durante o ano, elevando a alta dos preços aos consumidores. 

Mas antes de diversificar a carteira e fazer aportes internacionais, o investidor deve conhecer sobre este novo território dos investimentos. Isso porque há várias formas de realizar essas transações, e não precisa, necessariamente, estar fora do Brasil para isso. 

Por que investir no exterior?

Uma das principais vantagens de investir no exterior, além da diversificação da carteira, é afastar o capital das incertezas do mercado financeiro brasileiro. Ou seja, ao alocar uma parte do patrimônio em dólar, o investidor mitiga os riscos ao operar em outro país, onde as realidades econômica e política são distintas. 

Além da segurança, é possível acessar empresas e classes de ativos que não estão disponíveis por aqui. Podemos mensurar isso em uma breve comparação: a B3 possui cerca de 550 empresas. Já no mercado norte-americano, há mais de 6 mil ativos diferentes. 

Segmentos como tecnologia e saúde, cujas opções de aporte são limitadas no Brasil, podem ser acessados facilmente nos mercados dos Estados Unidos, Japão e Alemanha, por exemplo. 

Um terço do S&P 500, o índice de Nova York que reúne as maiores empresas do mundo, é formado por companhias de tecnologia e/ou essencialmente digitais. No Brasil,  o setor representa apenas 2% do Ibovespa.

Já a Saúde, que ensaia participação mais consistente na Bolsa brasileira, é um setor consolidado no mercado de capitais dos EUA e da Europa. 

Onde investir?

Há formas básicas do investidor brasileiro começar a aplicar no exterior, como  Fundos de investimentos, Exchange Traded Funds (ETFs), Brazilian Depositary Receipts (BDRs) e Certificado de Operações Estruturadas (COE). 

Vamos entender melhor a seguir como funcionam cada uma dessas opções:

Fundos Internacionais

Os fundos internacionais investem em ativos globais, podendo ser em renda fixa, renda variável – ações, câmbio e/ou fazer uma junção de todos esses investimentos em outros países (fundos multimercados). As aplicações são feitas em reais, e não em moeda estrangeira. 

Nesta aplicação, a tributação é feita em 15% sobre os ganhos de ações. Mas, se forem de renda fixa ou multimercados, segue a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR) – com alíquotas de 22,5% a 15%.

ETFs

Os Exchange Traded Funds são um fundo de investimento que faz aportes em um índice de ações, e as suas cotas são negociadas na Bolsa na mesma dinâmica das ações. O ETF também permite a diversificação de recursos, sem a necessidade de enviar dinheiro para o exterior e pagar o valor do câmbio. 

Assim como os fundos, o valor das operações são tributadas em 15% sobre o IR, e é necessário pagar taxa de corretagem sobre a compra e a venda dos ativos. 

BDRs

Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são títulos emitidos por empresas estrangeiras negociados no pregão da B3. É uma forma simples de brasileiros investirem em companhias negociadas na bolsa de outros países sem precisar abrir conta em corretoras internacionais. 

Por meio dos BDRs, é possível investir nas maiores empresas do mundo, como Apple, Facebook, Amazon, entre outras. Até mesmo na Berkshire Hathaway, do guru dos investimentos, Warren Buffet

A tributação pelo IR é de 15% sobre o ganho obtido nas negociações. Além disso, há taxa de corretagem, de custódia e emolumentos.

COE

O Certificado de Operações Estruturadas (COE) pode ser visto como como se tivesse a estrutura de um fundo, uma vez que agrega diversos investimentos. Uma das suas características é mesclar o alto risco e bom retorno da renda variável com a segurança da renda fixa – por isso, atende aos mais variados perfis de investidor

A taxa de administração dos COEs varia de 0,5% a 2% ao ano, e são tributados pela tabela regressiva do IR – de 15% a 22,5% sobre os ganhos, dependendo do tempo da aplicação.

Quais os riscos de investir fora?

A principal preocupação que o investidor tem ao alocar seus ativos em outro país é a variação de câmbio. Em um cenário hipotético, caso o valor do dólar cair e o do real aumentar, o rendimento do investimento cai junto com a moeda norte-americana. Mas, caso o contrário aconteça – e é este o cenário atual – de o real desvalorizar em relação ao dólar,  os investimentos são valorizados. 

Por ter muito mais opções do que no mercado nacional, o investidor precisa estar atento ao avaliar as empresas e ativos que vão compor a carteira. Afinal, em nenhum cenário aqueles que realizam aportes estão livres de riscos de mercado, de crédito e de liquidez. 

A SVN conta com profissionais qualificados, aptos para aconselhar as melhores estratégias de acordo com o perfil e os objetivos de cada investidor. Entre em contato com um dos nossos assessores e diversifique sua carteira de investimentos com ativos no exterior. 

*Sob supervisão de Priscilla Arroyo