IGP-M ou IPCA: qual índice acompanhar?

02 de junho de 2021 Índices Básico

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IGP-M ou IPCA: qual índice acompanhar?

Willian Leal

O IGP-M e o IPCA têm como função medir a inflação. Mas eles são índices calculados de maneira distinta. O grupo de produtos que formam o IPCA é mais restrito. Já o IGP-M abarca itens que representam uma fatia muito maior da economia.

O IGP-M, ou Índice Geral de Preços Mercado, é medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e está baseado em três outros indicadores: o Índice Preços ao Consumidor (IPC), que verifica o custo de vida das famílias; o Índice de Preços Amplo (IPA), que determina os preços de  produtos do agronegócio, como milho, soja e também de matérias primas, como o minério de ferro, além de produtos industrializados; e o Índice Nacional do Custo de Construção (INCC), que mede os preços do segmento de habitação. 

De maneira direta, o IGP-M engloba os preços de todos os ciclos de produção. Por conter itens vendidos ao mercado internacional, como a soja e o minério de ferro, ele é mais afetado pela cotação do dólar. O IGP-M é o indicador usado, historicamente, para balizar os contratos de aluguel. 

Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País, é verificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O seu cálculo é feito com base em uma cesta de produtos que tem como objetivo mensurar a variação no custo de vida das famílias. 

São consideradas nessa conta a variação de preços nos segmentos de alimentação e bebidas, artigos de residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário.

O IPCA é o indicador de referência para o sistema de metas de inflação, mecanismo no qual o país assume o compromisso de manter a inflação dentro da faixa indicada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em 2021, a meta é que o IPCA termine dezembro em 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (2,25% e 5,25%). 

IPCA e os investimentos

Como a inflação mede o poder de compra, ela é um dos indicadores do desempenho da economia. Por isso, impacta nas aplicações financeiras de maneira direta ou indireta. Quando pensamos de forma mais pontual, em produtos de investimento, o objetivo é garantir que o retorno obtido seja igual ou, de preferência, superior ao IPCA.  

Aqui vale destacar o conceito econômico de “rentabilidade real”, ou o valor que o investidor ganha com uma aplicação já descontado o valor da inflação. Se um produto apresentar, por exemplo, rentabilidade de 6% ao ano, e a inflação estiver em 4%, o ganho real será de 2%. Esse é um raciocínio primordial para avaliar o retorno de qualquer investimento. 

Há algumas opções na renda fixa que mantém o poder de compra com baixo risco. Eles oferecem uma taxa de retorno mais a variação do IPCA, como o Tesouro IPCA+ com juros semestrais, e o Tesouro IPCA+. 

Quem investe, ou está estudando sobre o assunto, deve acompanhar de perto as oscilações dos índices de inflação do País. Isso ajuda a tomar as melhores decisões no momento de montar a carteira de investimentos. Em um cenário de inflação alta – acima do teto da meta, de 5,75% em 2021 – a dica é dar preferência para aplicações de longo prazo.