• Home
  • Conteúdo.
  • Ibovespa na semana: relatório de inflação e dados de emprego agitam fim de setembro

Ibovespa na semana: relatório de inflação e dados de emprego agitam fim de setembro

27 de setembro de 2021 ÍndicesMercados Básico

  • SVN Invest
  • SVN Invest

    Editor

Ibovespa na semana: relatório de inflação e dados de emprego agitam fim de setembro

Alessandra Taraborelli

A última semana do mês começa agitada, com várias divulgações do Banco Central. Hoje (27) é dia de conhecer os dados de crédito referentes a agosto. Amanhã (28), o Comitê de Política Monetária (Copom), compartilha a ata sobre o aumento da Selic (para 6,25% ao ano). Na quarta (29), é a vez do BC revelar os dados fiscais do setor público também de agosto. 

A semana que já está movimentada, vai ficar ainda mais intensa no último dia do mês (30), quando o BC divulga o Relatório Trimestral de Inflação (ITR) referente ao terceiro trimestre. Na sequência, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, concederá coletiva de imprensa para comentar o resultado. 

O ITR é um documento muito importante para o mercado, pois nele a autoridade monetária mostra sua percepção sobre a inflação e apresenta atualizações das suas previsões sobre economia. No último relatório, o BC subiu a estimativa de inflação para este ano de 5% para 5,8%, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Além disso, ele informou sobre a possibilidade de a inflação superar o teto da meta de 5,25% para este ano. Na ocasião, o BC também anunciou que novos aumentos da Selic estavam no radar. 

Também ao longo da semana, o Ministério da Economia divulgará dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em agosto, o Caged informou que foram abertas 316,6 mil vagas de emprego com carteira assinada. Foi o sétimo mês seguido de saldo positivo. No ano, foram criadas 1,8 milhão de vagas. No entanto, o índice de desemprego está em 14,6%, o que significa 14,4 milhões de brasileiros estão sem trabalho formal.

Além disso, a  Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgará o emplacamento de veículos em setembro, o que geralmente é considerado como um termômetro do desempenho da economia. Vale destacar, no entanto, que o isolamento social desacelerou a produção de peças automobilísticas em todo o mundo, o que refletiu em um atraso na produção – e nas entregas – aqui no Brasil, uma vez que as montadoras aguardam a chegada de remessa desses componentes importados. Por isso, os dados podem não refletir a real demanda por automóveis.

PIB dos EUA

Nos EUA, o principal evento é a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) final referente ao segundo trimestre do ano. A expectativa do mercado é de alta em torno de 6,8% em termos anualizados. Também será acompanhado com atenção a fala de diversos dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) que, junto com o presidente da entidade, Jerome Powell, estarão no Senado. 

Política

Segue no foco dos investidores o pagamento dos precatórios e as reformas administrativa e do Imposto de Renda. Na semana passada, o governo informou que pretende prorrogar o auxílio emergencial para 2022, e elevar o valor de R$ 300 para R$ 400. A questão é que esse valor coloca em risco todo o esforço que está sendo feito pelo Ministério da Economia para evitar ultrapassar o teto do gasto fiscal – ou seja, os desembolsos que o governo poderá fazer no ano que vem. 

Outro tema importante que está sendo discutido no Senado é o projeto que altera as regras do Imposto de Renda (PL 2.337/2021) que, no entanto, não deve sair do papel este ano. O relator, senador Angelo Coronel, afirmou na sexta-feira (24), que a votação deve ficar para o ano que vem, por se tratar de algo complexo. “Eu não tenho condições de fazer um relatório, estamos já para entrar em outubro e, dezembro, começa o recesso. Eu não posso apresentar um relatório sem estar bem embasado”, disse em entrevista à rádio CBN.

Retrospectiva: Evergrande gera tensão nos negócios e Bolsonaro não convence na ONU

Depois de iniciar a semana em forte queda por conta dos temores de calote da empresa chinesa Evergrande – segunda maior incorporadora imobiliária do país -, a Bolsa engatou uma sequência de três altas seguidas até quinta-feira (23), mas sucumbiu às perdas no dia seguinte. Com isso, o Ibovespa encerrou a sexta-feira com recuo de 0,69%, aos 113.282 pontos. Mas, na semana, o índice acumulou ganho de 1,65%. No mês e no ano, no entanto, os declínios são de 4,62% e 4,80%, respectivamente. 

O dólar também sentiu o efeito chinês e fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,34, com alta de 0,64%. Na semana, a moeda norte-americana subiu 1,17%. No mês, o ganho acumulado é de 3,36%. 

Por que a preocupação com a Evergrande?

A notícia de que o conglomerado de construção da China, a Evergrande, poderia dar um calote em seus credores centrou a atenção dos investidores nos últimos dias – as dívidas da empresa beiram US$ 300 bilhões de dólares. O temor é que uma crise gerada do outro lado do mundo contamine os principais mercados, como aconteceu em 2008 nos EUA, quando houve o estouro da bolha dos imóveis. Essa preocupação levou os investidores a saírem dos investimentos de risco, como a Bolsa, e migrarem para ativos considerados mais seguros, como o dólar. 

Ao longo da semana, no entanto, os temores relacionados à crise da incorporada diminuíram e os investidores voltaram a refazer suas posições. Na quinta-feira (23), o governo chinês se manifestou. Embora o presidente Xi Jinping tenha sinalizado que não pretende salvar a empresa, há esforços estatais para evitar um calote. 

O governo exigiu que a empresa pagasse parte de suas dívidas de curto prazo em dólar. Também alertou os governos locais para protegerem a economia caso a Evergrande quebre, por exemplo, proibindo demissões. Além disso, injetou US$ 17 bilhões no sistema financeiro do país para acalmar o mercado, essa foi a maior intervenção desde janeiro deste ano. O que trouxe alívio ao mercado. 

No entanto, o bom humor durou pouco. Na sexta-feira (24), a informação de que alguns credores da companhia não receberam o pagamento de juros dos títulos que venceram no dia anterior levaram as ações da companhia a uma queda superior a 11%. O movimento contaminou o Ibovespa. Também influenciou a decisão do banco central chinês de considerar todas as atividades relacionadas com criptomoedas ilegais. Os dois temas continuam no radar dos investidores esta semana. 

Política monetária nos EUA

Nos Estados Unidos, o Fed, ratificou a expectativa do mercado ao manter a taxa de juros entre 0% e 0,25% ao ano. Em sua declaração após a decisão, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) afirmou que: “se o progresso continuar em linha com o esperado, o Comitê acredita que a moderação no ritmo de compra de ativos será, em breve, implementada”. 

Logo depois da decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell foi mais hawkish, ou seja, foi mais favorável a um aperto de juros para conter a inflação que o esperado. Ele afirmou que poderia começar a reduzir o programa de compra de títulos a partir de novembro. Também nos EUA foi divulgado que os pedidos de auxílio-desemprego atingiram 351 mil na semana encerrada em 18 de setembro, segundo o Departamento de Emprego do país. 

Por aqui, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sobre a taxa Selic também ficou em linha com as estimativas do mercado. A taxa de juro foi elevada para 6,25% ao ano – este é o maior patamar desde julho de 2019, quando a Selic estava em 6,5% ao ano. O BC sinalizou em novo aumento de um ponto porcentual na próxima reunião, o que, se confirmado, levará o juro para 7,25% ao ano. 

De acordo com o comunicado divulgado após a decisão, a alta visa conter o avanço da inflação. “A inflação ao consumidor segue elevada. A alta nos preços dos bens industriais ainda não arrefeceu e deve persistir no curto prazo. Adicionalmente, persistem as pressões sobre componentes voláteis como alimentos, combustíveis e, especialmente, energia elétrica, que refletem fatores como câmbio, preços de commodities e condições climáticas desfavoráveis”.

O documento ainda defendeu a necessidade de reformas e ajustes necessários na economia para permitir uma recuperação sustentável da economia. “O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”. 

Política segue no radar

A passagem do presidente Jair Bolsonaro por Nova York para participar da ONU, não convenceu. Entre os temas abordados por ele estava a economia, as vacinas contra o Covid-19, o desmatamento e o auxílio emergencial. O presidente disse que a economia brasileira é uma das melhores entre os países emergentes. De acordo com o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), “World Economic Outlook”, publicado em julho deste ano, a economia do País encolheu 4,1%, acima da média mundial, de 3,2%. No caso das vacinas, o presidente voltou a incentivar o uso do kit-covid, que não tem sua eficiência reconhecida. Para vários analistas, o presidente fez um discurso voltado para o seu eleitorado e não para a comunidade mundial.   

Agenda de indicadores econômicos:

Confira os principais eventos que devem centrar a atenção dos investidores:

DataPaísIndicador
27/09/2021BrasilFIPE: IPC (semanal)
27/09/2021BrasilFGV: INCC-M (set)
27/09/2021BrasilFGV: Sondagem da Construção (set)
27/09/2021BrasilBCB: Relatório Focus (semanal)
27/09/2021BrasilBCB: Nota à imprensa – Pol. monetária e operações de crédito (ago)
27/09/2021BrasilTesouro: Relatório mensal da dívida pública federal (ago)
27/09/2021BrasilCNI: Sondagem da Indústria da Construção (ago)
28/09/2021BrasilFGV: Sondagem da Indústria (set)
28/09/2021BrasilBCB: Divulgação da ata do Copom
28/09/2021BrasilTesouro: Resultado primário do Governo Central (ago)
28/09/2021BrasilCaged: Geração de emprego formal (ago)
28/09/2021EUAConfiança do consumidor – Conference Board (set)
29/09/2021BrasilFGV: IGP-M (set)
29/09/2021BrasilFGV: Sondagem de Serviços (set)
29/09/2021BrasilFGV: Sondagem do Comércio (set)
29/09/2021BrasilIBGE: Índice de preços ao produtor (ago)
29/09/2021BrasilBCB: Nota à Imprensa – Política Fiscal (ago)
29/09/2021BrasilBCB: Fluxo Cambial (semanal)
30/09/2021BrasilBCB: Relatório Trimestral de Inflação
30/09/2021BrasilIBGE: PNAD Contínua (jul)
30/09/2021Reino UnidoPIB (2° tri.) – final
30/09/2021EUAEUA: Pedidos de auxílio desemprego (semanal)
30/09/2021EUAPIB (2° tri.) – final
01/10/2021BrasilFGV: IPC-S (semanal)
01/10/2021BrasilMarkit: Índice PMI da indústria de transformação (set)
01/10/2021BrasilSecex: Balança comercial mensal (set)
01/10/2021BrasilFenabrave: Emplacamentos de veículos (set)
01/10/2021Área do EuroÍndice PMI Markit da indústria de transformação (set) – final
01/10/2021Área do EuroÍndice de preços ao consumidor (set) – preliminar
01/10/2021Reino UnidoÍndice PMI Markit da indústria de transformação (set) – final
01/10/2021EUAGastos pessoais (ago)
01/10/2021EUARendimento pessoal (ago)
01/10/2021EUAÍndice de confiança da Universidade de Michigan (set) – final
01/10/2021EUAÍndice ISM da indústria de transformação (set)
Fonte: E-investidor