• Home
  • Conteúdo.
  • Ibovespa na semana: agenda econômica tem inflação e dados de emprego nos EUA

Ibovespa na semana: agenda econômica tem inflação e dados de emprego nos EUA

04 de outubro de 2021 ÍndicesInvestimentosMercados Básico

  • SVN Invest
  • SVN Invest

    Editor

Ibovespa na semana: agenda econômica tem inflação e dados de emprego nos EUA

Alessandra Taraborelli —

Inflação no Brasil e dados de emprego nos Estados Unidos são os principais eventos da semana, e só serão divulgados na sexta-feira. Até lá, o mercado vai repercutindo os outros indicadores e acompanhando as questões políticas. 

Na sexta-feira (8), o Escritório de Estatísticas do Trabalho dos EUA divulgará o Payroll ou relatório de emprego, de setembro. Esse é um importante indicador, pois ele revela como o mercado de trabalho está se recuperando, e por isso é considerado um indicativo de quando o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) pode começar a retirar os estímulos monetários do país. 

Antes, no entanto, a ADP – indicador da criação de vagas de emprego no setor privado dos EUA – será divulgada com dados de setembro.  O dado é considerado uma prévia do Payroll. 

Inflação medida pelo IPCA

Também na sexta, aqui no Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro. A expectativa é de que a inflação continue pressionada. No mês passado, o índice ficou em 0,87% e foi a maior variação de um mês de agosto desde 2001, quando ficou em 1,31%. No ano, o IPCA acumula alta de 5,67% e, nos últimos 12 meses, sobre 9,68%. 

Na semana passada, ao divulgar o relatório de inflação do terceiro trimestre, o Banco Central subiu a estimativa para este ano de 5,8%, para 8,5%, ficando acima do teto da meta do governo, que é de 5,25%. 

Para tentar conter o avanço da inflação, o BC precisa elevar a taxa de juro. No documento, a autoridade monetária informou sobre a necessidade de um novo aumento da taxa Selic em um ponto porcentual no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) que acontece este mês, elevando a taxa básica de juros para 7,25% ao ano. Quando as estimativas da inflação derem sinais de arrefecimento, a autoridade monetária deve realizar o movimento inverso, ou seja, promover um ciclo de queda da Selic. 

Antes, o IBGE publica as vendas no comércio em agosto. Em julho, o volume de vendas avançou 1,2% com ajuste sazonal, fazendo com que o volume de vendas do setor chegasse ao patamar recorde da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), iniciada em 2000. A média móvel trimestral cresceu 1,1% frente ao trimestre encerrado em junho (2,2%). Na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista subiu 5,7% frente a julho de 2020, quinta taxa positiva consecutiva. O acumulado no ano chegou a 6,6% e o acumulado nos últimos 12 meses permaneceu em 5,9%.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de setembro. Em agosto o índice registrou deflação de 0,14%. Com o resultado, o índice passou a acumular inflação de 15,75% no ano e de 28,12% em 12 meses. 

Pandora Papers

A notícia de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto, são sócios de offshores localizadas em paraísos fiscais, e ao mesmo tempo têm o poder de decisão sobre taxas e impostos cobrados nessas operações, pode ser avaliado como um conflito de interesses, e por isso elevar a cautela dos investidores.

No domingo (3), o Consórcio Internacional de Jornalistas (ICIJ), começou a divulgar reportagens baseadas no mega vazamento de informações sobre o patrimônio de líderes de diversos países. No Brasil, participaram do grupo a revista Piauí, a Agência Pública e os portais Metrópoles e Poder 360. 

Offshores são a designação usada para sociedades ou contas bancárias abertas em países ou territórios do exterior, ou seja, fora do local de domicílio dos proprietários. Essas operações estão sujeitas a um regime tributário diferenciado, com domicílio estabelecido em outro país. 

O vazamento, que está sendo chamado de Pandora Papers, mostrou que vários empresários e políticos brasileiros possuem contas no paraíso fiscal. Vale destacar, no entanto, que a abertura de offshore em paraísos fiscais é legal, desde que declarada à Receita Federal e ao Banco Central, se o valor superar US$ 1 milhão. Segundo as reportagens, Guedes possui US$ 9,55 milhões e Campos, US$ 1,09 milhão em contas no exterior. 

A questão é que Guedes e Campos estariam violando o Código de Conduta da Alta Administração Federal. O documento proíbe os membros do governo de manterem aplicações financeiras que possam afetar qualquer política sobre a qual a autoridade tenha informações privilegiadas em razão do cargo que ocupa. 

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, Guedes afirmou à revista Piauí que declarou suas contas no exterior à Comissão de Ética Pública em janeiro de 2019, logo que tomou posse no ministério. Só no último mês de julho, dois anos e meio depois, o colegiado julgou o caso e não viu irregularidades nos negócios do ministro. 

Campos Neto, por sua vez, encerrou as atividades de sua offshore em agosto de 2020, mas passou mais de um ano e meio no controle da empresa quando já fazia parte do governo. 

A offshore havia sido aberta em 2004 por Campos e a esposa dele. À revista Piauí, Campos Neto afirmou que os valores são declarados: “Não houve nenhuma remessa de recursos às empresas após minha nomeação para função pública”.

Deputados da oposição afirmaram que irão pedir investigações contra os dois membros do governo. 

No campo político, sem novidades. O mercado segue atento às discussões em torno dos precatórios, que podem continuar no Congresso, e a possibilidade de prorrogação do Auxílio Emergencial. 

Retrospectiva: Bolsa perde quase 7% em setembro e tem pior queda desde março de 2020

No último dia de setembro, a Bolsa fechou com uma perda de 0,11%, aos 110 mil pontos, e o Ibovespa amargou queda de 6,57% no mês passado, a pior queda mensal desde março de 2020, quando o índice despencou 29,9%, no auge da crise do coronavírus. 

Setembro foi marcado por fatores internos e externos. A questão política foi intensificada após as manifestações de 7 de setembro, nas quais o presidente Jair Bolsonaro desafiou o Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 9, o presidente voltou atrás e convocou o ex-presidente Michel Temer para ajudar a escrever um pedido formal de desculpas ao STF para apaziguar “os ânimos”.  O mês ainda teve a continuidade das preocupações com o teto de gastos, as reformas administrativa e do imposto de renda, alta dos juros e avanço da inflação. 

Para azedar ainda mais o humor dos investidores, a Evergrande, uma das maiores incorporadoras chinesas, pode estar à beira da falência. A incorporadora informou que tem uma dívida enorme em torno de US$ 300 bilhões. O governo chinês sinalizou que não pretende socorrer a Evergrande, mas o mercado espera alguma iniciativa para ajudar a empresa.

O último dia do mês não foi só de más notícias, o mercado reagiu bem à informação de que o Congresso americano aprovou o projeto de lei que impede a suspensão abrupta dos serviços federais no país, o chamado “shutdown”, por paralisação de investimentos. 

Ainda nos EUA, os pedidos contínuos por seguro-desemprego vieram pior que o esperado – foram registrados 362 mil pedidos, ante 351 mil da semana anterior. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu à taxa anualizada de 6,7% no 2º trimestre de 2021 em relação aos três meses anteriores.

Aqui, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostrou taxa de desempregados de 13,7% no trimestre fechado em julho, acima da expectativa do mercado. Esse percentual corresponde a 14,1 milhões de pessoas em busca de emprego. 

No câmbio, o dólar comercial encerrou o mês em alta de 0,29% a R$ 5,44 na compra e a R$ 5,44 na venda. Em setembro a moeda dos EUA teve uma valorização de 5,3% ante o real. 

Outubro, um bom começo

Depois de terminar setembro no vermelho, a Bolsa iniciou outubro no azul. Na sexta-feira (1º), o Ibovespa encerrou com alta de 1,73%, aos 112 mil pontos.  Na semana, o índice caiu 0,34%, e no ano, o declínio é de 5,14%. 

O dólar comercial fechou em queda de 1,42%, a R$ 5,36 na venda. Na semana, a moeda acumulou alta de 0,46%. 

Agenda de indicadores econômicos:

Confira os principais eventos que devem centrar a atenção dos investidores:

DataPaísIndicador
04/10/2021BrasilFIPE: IPC (semanal)
04/10/2021BrasilBCB: Relatório Focus (semanal)
05/10/2021BrasilIBGE: Pesquisa Industrial Mensal (ago)
05/10/2021BrasilMarkit: Índice PMI do setor de serviços (set)
05/10/2021BrasilMarkit: Índice PMI composto (set)
05/10/2021Área do EuroMarkit: Índice PMI composto (set) – final
05/10/2021EUAÍndice ISM do setor de serviços (set)
06/10/2021BrasilFGV: IGP-DI (set)
06/10/2021BrasilIBGE: Pesquisa Mensal de Comércio (ago) – restrita
06/10/2021BrasilAnfavea: Produção e venda de veículos (set)
06/10/2021BrasilBCB: Índice Commodities Brasil (IC-Br) (set)
06/10/2021BrasilBCB: Fluxo Cambial (semanal)
06/10/2021EUAGeração de vagas de trabalho – pesquisa ADP (set)
07/10/2021BrasilConab: 1º Levantamento da safra de grãos 2021/2022 (out)
07/10/2021BrasilIBGE: Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (set)
07/10/2021EUAEUA: Pedidos de auxílio desemprego (semanal)
08/10/2021BrasilFGV: IPC-S (semanal)
08/10/2021BrasilFGV: IGP-M (1ª prévia) (out)
08/10/2021BrasilIBGE: IPCA (set)
08/10/2021BrasilIBGE: Pesquisa Industrial Mensal – Regional (ago)
08/10/2021EUAPayroll – taxa de desemprego (set)
08/10/2021EUAVariação na folha de pagamentos (set)
Fonte: E-investidor