Dólar sobe 7,9% no ano; tendência de alta segue

Dólar sobe e segue em movimento de alta

Dólar sobe 7,9% no ano; tendência de alta segue

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Renan Mazzo

O dólar subiu 0,8% em março e saltou de R$ 5,58 para R$ 5,63. No ano, a moeda norte- americana acumula alta de 7,9% frente o real (até 06/04), e os primeiros dias do mês de abril mostram que a tendência de subida continua. A escalada do dólar reflete a delicada situação fiscal do governo, as incertezas em relação ao desenvolvimento dos programas de vacinação e, por consequência, a lenta retomada econômica do País.

No entanto, há alguns fatores que podem frear essa alta. O relatório Focus (de 05/04) – documento semanal que reúne as projeções de economistas consultados pelo Banco Central (BC) – aponta que o dólar tende a recuar até dezembro, encerrando o ano cotado a R$ 5,35. Essa projeção é baseada em um cenário em que o governo adote uma postura de responsabilidade fiscal. Um importante ponto de atenção do mercado é a sanção do Orçamento da União, que após ter sido aprovado pelo Congresso com atraso, aguarda a assinatura do presidente, que pode acrescentar vetos ao texto.

Outro fator que tende a contribuir para o recuo do dólar até o fim do ano é a previsão de alta da Selic (taxa básica de juros) com intuito de controlar a inflação. Além desses pontos, a expectativa de retomada da economia com o controle da pandemia em meio aos programas de vacinação tende a direcionar a cotação do dólar para baixo da faixa de R$ 5,40.

Como proteger os investimentos

Como estratégia para lidar com a forte volatilidade da moeda, os investidores podem colocar, ou manter, um percentual da carteira em ativos atrelados ao dólar. Essa parcela do patrimônio ficará descorrelacionada com nossa bolsa de valores. Ou seja, quando o índice Ibovespa cai, o dólar tende a subir, e vice-versa.

Dessa forma, ter um percentual da carteira exposto à moeda forte funciona como uma proteção para momentos de instabilidade em nosso mercado interno. Existem diversas opções para dolarização dos investimentos, incluindo fundos de investimentos e ETF’s. É importante entrar em contato com seu assessor de investimentos para encontrar a melhor opção de acordo com seu perfil.

Retrospectiva do dólar em março

Depois de um forte movimento de alta na segunda semana do mês, a cotação do dólar chegou a R$ 5,87. No entanto, nos últimos dias de março, voltamos à casa dos R$ 5,63. Um dos fatores que desencadeou o enfraquecimento de nossa moeda foi a anulação das condenações do ex-presidente Lula relacionadas à Lava Jato. Esse fator pontual contribuiu para que o real se depreciasse mais de 3% em apenas um dia.

Tal cenário foi equilibrado com intervenções do BC para amenizar a queda do real, esforço somado à aprovação do pacote de estímulos econômico nos Estados Unidos no valor de US$ 1,9 trilhão. A quantidade maior de dólar no mercado contribuiu para a queda da cotação.

Além disso, a decisão do Comitê de Política Monetária do BC (Copom) de aumentar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual – a primeira elevação desde 2015 – acentuou esse movimento, e a cotação recuou para R$ 5,44, a mínima do mês. A reta final de março foi marcada pela apreensão em relação à aprovação do Orçamento da União.

A votação do Congresso para decidir as despesas federais programadas para 2021 deveria ter acontecido no ano passado, mas sofreu adiamentos por conta da pandemia de Covid-19 e das eleições municipais. Diante do cenário complexo, a aprovação do orçamento aconteceu no dia 25 de março, e agora a matéria aguarda sanção presidencial.

Perspectiva para abril

A aprovação final do orçamento é um dos principais pontos de atenção do mês. O presidente Jair Bolsonaro tem até o dia 22/04 para realizar o veto parcial da lei orçamentária aprovada pelo plenário, decisão que irá ditar como o mercado avalia o risco fiscal brasileiro, o que influencia diretamente a taxa de câmbio.

Além disso, outro fator de destaque em abril é a curva de juros futuros dos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) reafirma que a taxa de juros não aumentará nos próximos anos. No entanto, o risco de elevação da inflação faz com que o mercado considere uma possível alta, o que pode refletir no aumento da cotação do dólar frente a moedas de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Outro ponto que deve continuar no radar dos investidores é o desenvolvimento do plano de vacinação brasileiro. A diminuição nos casos de contaminação do Covid-19 tende a incentivar a retomada da economia, o que impactará de maneira positiva na cotação de nossa moeda.