Dólar recua 4,7%; tendência para julho é de volatilidade

01 de julho de 2021 InvestimentosMercados Básico

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Dólar recua 4,7%; tendência para julho é de volatilidade

Renan Mazzo

O dólar caiu 4,7% frente ao real em junho e terminou o mês cotado a R$ 4,97. A divisa bateu o recorde da cotação mínima do ano no dia 25, quando foi negociada a R$ 4,89. Entre os fatores que contribuíram para a queda estão a alta no preço das commodities no mercado internacional, dados econômicos favoráveis e também a expectativa de um aumento ainda maior na taxa básica de juros – a Selic.

O dólar seguiria com viés de queda em julho diante da expectativa pela divulgação de indicadores que devem seguir mostrando a recuperação da economia depois do tombo do ano passado – quando o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 4,1% como reflexo das consequências da pandemia. No entanto, a instabilidade política tende a acrescentar volatilidade às cotações.

O mercado acompanha de perto o avanço da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que acontece em meio a bate-boca entre políticos e provas de corrupção dentro do governo em licitações de compra da vacina.

Retrospectiva de Junho

Logo no início do mês, o real já apresentou desempenho positivo frente ao dólar, e foi a moeda que mais se apreciou no mundo. Na primeira semana, a moeda norte-americana caiu mais de 3% em meio ao otimismo que tomou conta do mercado por conta do desempenho positivo da economia doméstica no primeiro trimestre – o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,2%.

O otimismo com dados econômicos contribuiu para que o movimento de queda do dólar se estendesse pelas outras semanas do mês. O movimento foi igualmente estimulado pelo avanço no preço das commodities. O valor da tonelada do minério de ferro, por exemplo, um dos principais itens de exportação do País, terminou julho com valorização acumulada de 7,7%. No ano, a alta acumulada chega a 33,4%.

Como o Brasil é um grande exportador de commodities, o aumento das cotações faz com que entre mais dólares no País, o que reflete na valorização do real frente ao dólar.

Impacto nos investimentos

A maioria dos investimentos atrelados ao dólar apresentaram rentabilidade negativa no mês de junho devido à apreciação do real frente a moeda norte-americana. Porém, é sempre importante relembrar que o dólar faz um papel de proteção nas carteiras de investimentos.

Sendo assim, recomendamos aos nossos clientes manter na carteira um percentual dos investimentos expostos à variação da moeda norte-americana. Em momentos de instabilidade da Bolsa brasileira, esses ativos tendem a subir.

A edição de 25 de junho do relatório Focus – que traz a mediana das projeções de economistas consultados pelo Banco Central – aponta a cotação do dólar em R$ 5,10 no final deste ano. Se observarmos a cotação atual da divisa, ainda pode ser um bom momento para compra de ativos dolarizados.

Expectativa para movimento do dólar em julho

O movimento de alta da inflação é um dos principais pontos de atenção do mercado em julho. O IPCA, índice que mede a inflação oficial do País, acumula alta de 8,06% nos últimos 12 meses, patamar que ultrapassa o teto da meta de 5,25% do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Em meio ao cenário de alta da inflação, o Banco Central sinalizou que deve seguir elevando a taxa Selic – que hoje está em 4,25% . A expectativa do mercado é que a taxa básica de juros termine o ano em 6,5%.

Outra questão que deve seguir no radar dos investidores é o andamento da CPI da Covid-19. A apresentação de mais provas de corrupção dentro do governo no processo de compra de lotes de vacina pode provocar uma nova crise política.

A discussão no Congresso sobre as mudanças no Imposto de Renda, que estão na proposta na entregue na semana passada aos parlamentares pelo ministério da Economia, estarão igualmente no radar dos investidores. Isso pode acrescentar volatilidade na cotação do câmbio nas próximas semanas.