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Dólar recua 0,4% em agosto; volatilidade deve continuar em setembro

01 de setembro de 2021 InvestimentosMercados Básico

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Dólar recua 0,4% em agosto; volatilidade deve continuar em setembro

Renan Mazzo, head de câmbio da SVN —

A volatilidade que predominou em agosto no mercado financeiro deve continuar em setembro. Em meio a fortes oscilações, o dólar alcançou a cotação de R$ 5,47 no dia 20, mas arrefeceu na última semana do mês, e encerrou agosto cotado a R$ 5,14, acumulando queda de 0,46% no período.  

No cenário doméstico, segue no radar dos investidores incertezas políticas e econômicas. Lá fora, as atenções se voltaram para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) que sinalizou não ter pressa para retirar os estímulos econômicos, o que motivou os investidores a tomar uma parcela a mais de risco, postura que contribuiu para a apreciação do real.  

Por aqui, a discussão polêmica sobre a postergação de dívidas de precatórios foi um fator que contribuiu para elevar o risco fiscal. Esse tipo de incerteza faz com que os investidores fiquem avessos ao “risco Brasil” gerando uma fuga de capital do País, o que faz com que o real se deprecie.

Retrospectiva agosto

Após atingir a mínima do mês no dia 05/08 (R$ 5,11, no intraday), o dólar engatou um forte movimento de alta por conta de fatores internos e externos. Externamente, o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell sinalizando uma postura mais “dovish”, inclinada à manutenção dos estímulos e juros baixos (na faixa entre 0% e 0,25%) acalmou os ânimos do mercado por agora. No entanto, especialistas avaliam que a postura pode gerar a percepção de uma pressão inflacionária no futuro.

Além disso, os dados da economia da China vieram abaixo do esperado, uma vez que a variante Delta do coronavírus obrigou o governo a adotar novamente medidas restritivas.

No Brasil, além da retomada do risco fiscal em meio à discussão dos precatórios, a instabilidade política esteve presente na maior parte do mês, com o aumento das tensões na relação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o Supremo Tribunal Federal (STF). Esses fatores contribuíram para que o real perdesse valor frente ao dólar.

No entanto, esse cenário turbulento começou a mudar nos últimos dias de agosto, com a expectativa de que a questão dos precatórios possa ser solucionada sem gerar um impacto (ainda mais) drástico nas contas do governo. 

Impacto nos investimentos

Toda essa volatilidade no mês de agosto reforça a importância de o investidor ter um percentual da carteira de investimentos atrelada ao dólar. Nas primeiras semanas do mês, período no qual a bolsa brasileira teve um desempenho mais fraco que o esperado, quem tinha uma parte da carteira dolarizada equilibrou essas perdas. Já na reta final de agosto, com a queda da rentabilidade dos ativos atrelados ao dólar, o Ibovespa (principal índice da Bolsa) recuperou parte das perdas, mas encerrou agosto com queda de 0,92%.

Na prática, quem tem uma carteira diversificada, com exposição ao dólar, enfrenta melhor esses períodos de volatilidade. 

Expectativa para setembro

Tudo indica que em setembro a volatilidade deve continuar. No cenário externo, segue no radar as indicações do Fed em relação à data da retirada dos estímulos. Powell, presidente da instituição, sinalizou que esse movimento pode começar neste ano, por isso o mercado deve seguir em busca de pistas sobre a data dessa diminuição de liquidez .

No Brasil, a discussão sobre os precatórios deve seguir alimentando incertezas, pois um dos desfechos desse impasse pode impactar ainda mais o déficit nas contas públicas do País. Outro ponto de incerteza é a crise hídrica – e o aumento no preço da energia -, o que tende a pressionar ainda mais a inflação, que já acumula avanço de 8,99% nos últimos 12 meses. 

Além disso, as manifestações esperadas para 07/09, Dia da Independência – a favor e contra o governo – podem elevar a cautela dos investidores à medida que aontribuem para aumentar as incertezas políticas. 

É sempre válido entrar em contato com seu assessor de investimentos para verificar as melhores estratégias para lidar com o dólar em meio ao cenário atual.