Dólar em agosto: viés de alta e volatilidade à vista

03 de agosto de 2021 Mercados Básico

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Dólar em agosto: viés de alta e volatilidade à vista

Renan Mazzo

Após iniciar o mês abaixo de R$5,00, o dólar emplacou um forte movimento de alta e deu um salto terminando o mês cotado a R$5,21, – com 4,9% de apreciação frente ao real. Entre os fatores que influenciaram o movimento de alta estão o risco de adiamento da reabertura econômica por conta da variante Delta do coronavírus, e a instabilidade política no Brasil em meio à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.

Além desses pontos, a preocupação com a alta da inflação mundial também agrega volatilidade aos mercados de todo o mundo. Nos Estados Unidos, um forte movimento de alta generalizada nos preços tende a fazer com que o Banco Central norte-americano estímulos monetários – o que significa menos dinheiro circulando no mundo todo – logo, a apreciação do dólar em relação às moedas emergentes – e sinalize um aumento na taxa de juros mais rápido que o esperado.

Retrospectiva de julho

A cotação mínima do dólar no mês aconteceu no dia primeiro, quando o dólar chegou na casa dos R$4,94. A partir daí, a moeda norte-americana engatou um movimento de alta bem considerável, atingindo a máxima do mês no dia 08/07, cotado a R$ 5,31.

Um dos principais fatores que contribuíram para este movimento foi a retomada do risco político brasileiro, principalmente por conta das tensões envolvendo a CPI da Covid. O novo pedido de impeachment ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reflete o cenário interno turbulento. Diante das incertezas, os investidores estrangeiros retiram capital do Brasil – até 23 de julho foram R$ 5,6 bilhões – o que tira a força da nossa moeda.

O dólar fechou o mês cotado a R$ 5,21, com os mercado prevendo os possíveis impactos econômicos que a variante delta do coronavírus poderiam trazer às economias mais fragilizadas do mundo – o que inclui o Brasil.

Em meio a esse cenário, os investidores tendem a diminuir a exposição a esses países que representam maior risco, e tendem a aumentar os investimentos em nações cujas economias são consideradas mais sólidas – como Estados Unidos, por exemplo. Isso faz com que o real perca força perante as “moedas fortes” como o dólar.

Impacto nos investimentos

A maioria dos investimentos atrelados ao dólar apresentaram rentabilidade positiva no mês de julho. Em cenários turbulentos como esse, fica claro a importância de ter um percentual da carteira dolarizada, uma vez que nesses momentos a bolsa brasileira tende a enfrentar dificuldades – o Ibovespa caiu 4% em julho –, e o dólar tende a subir.

É sempre válido ressaltar a importância de consultar um assessor de investimentos e verificar quais os melhores ativos e qual é o melhor momento de agregar ou ampliar no portfólio ativos negociados em dólar de acordo com o perfil de cada investidor, pois implicam em uma exposição maior ou menor ao risco. . Existem diversas opções – como Fundos de investimentos, ETF’s, COEs, entre outros.

Expectativa para agosto

Para o oitavo mês do ano, o cenário interno deve ser acompanhado de perto pelos investidores. Um dos fatores que pode agregar volatilidade aos mercados é o andamento da reforma fiscal, cujos temas vêm provocando desavenças dentro do governo e no Congresso. A CPI da Covid também deve ser mantida no radar.

Os economistas consultados pelo Banco Central projetam que o dólar deve terminar o ano cotado a R$5,09. No entanto, a instabilidade econômica e política do Brasil agregam volatilidade ao mercado, e essa previsão pode ser revista para cima nas próximas semanas.