Dólar cai 3,4% em abril com aprovação do Orçamento 2021

Dólar cai 3,4% em abril

Dólar cai 3,4% em abril com aprovação do Orçamento 2021

Dólar cai 3,4% em abril com aprovação do Orçamento 2021 1000 667 SVN Invest

Renan Mazzo

O dólar caiu 3,45% frente ao real em abril ao recuar de R$5,63 para R$5,43. Foi a maior queda mensal desde novembro de 2020, quando a moeda norte-americana desvalorizou 6,83% frente ao real. No ano, o dólar ainda acumula alta de 4,68% (até 03/05).

No cenário doméstico, a aprovação do Orçamento de 2021 e a retomada das pautas ligadas às reformas estruturais no Congresso foram avaliadas pelo mercado como um passo em direção à estabilidade fiscal, e por isso contribuíram para o bom desempenho do real em abril.

Com esse movimento, a cotação se aproximou dos R$ 5,40, patamar próximo ao apontado pelo relatório Focus – que reúne a expectativa de economistas para os principais indicadores da economia – para o final de 2021.

O retorno do movimento de alta da taxa básica de juros (Selic), aliado a uma possível melhora na estabilidade política e fiscal, pode contribuir para a continuidade do movimento de queda do dólar em relação ao real em maio.

Impacto nos investimentos

O fortalecimento do real abre uma boa oportunidade de dolarização da carteira de investimentos. Com a taxa de câmbio na faixa de R$ 5,50, as aplicações em ativos dolarizados ficam mais atrativas. Por isso, é um bom momento no ano para os investidores diversificarem o portfólio com ativos atrelados ao dólar.

Dica: entre em contato com o assessor de investimentos para escolher as melhores opções de aplicações internacionais que se encaixam no seu perfil.

Retrospectiva abril

O dólar iniciou o mês cotado a R$ 5,66. As duas primeiras semanas foram marcadas por um movimento de depreciação do real por conta da preocupação em relação ao impasse da sanção do Orçamento 2021. Dessa forma, a cotação atingiu a máxima do mês – R$ 5,75.

A segunda metade de abril foi marcada por um forte movimento de queda do dólar. Além da proposta do Orçamento 2021 ter sido aprovado com vetos, o que foi bem avaliado pelo mercado, a reforma fiscal voltou a ser colocada em pauta.

Outro fator positivo foi o superavit de R$ 2,1 bilhões das contas públicas, o que mostra controle dos gastos do governo, e por isso colaborou para que o dólar chegasse na cotação mínima no mês, de R$ 5,32, no dia 29.

Além dos fatores internos, questões externas também influenciaram esse movimento de queda. O DXY, o índice que mede o valor dólar em relação a uma cesta de moedas estrangeiras, recuou mais de 2%.

A queda do DXY reflete a continuidade do programa de estímulo econômico do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Além de manter as taxas de juros perto de zero, o Fed pretende injetar US$ 2,5 trilhões no sistema bancário este ano.

A entrada de dólares no mercado contribui para arrefecer a sua demanda mundial, o que colabora para a estabilizar a cotação em relação a outras moedas.

Perspectiva para maio

Um importante ponto de atenção para o mês de maio é a CPI da Covid 19, que pode causar um aumento da instabilidade política e, por consequência, a desvalorização do real. Isso acontece, pois em momentos de instabilidade, os investidores estrangeiros tendem a tirar capital do Brasil. Esse movimento diminui a oferta de dólar no mercado e, por consequência, eleva o seu valor de negociação, o que significa a perda de força do real.

Outro ponto que deve ter impacto no câmbio é a decisão da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A previsão é que o BC eleve a taxa de juros em 0,75% na próxima reunião do Copom, que acontece nos dias 4 e 5 de maio. Uma decisão diferente do esperado pode incentivar a desvalorização do real.

Além desses pontos, a continuidade da pauta da reforma fiscal e a retomada da economia como reflexo dos planos de vacinações são fatores que devem se manter no radar dos investidores.