Dólar cai 4% em maio, e segue em tendência de queda

02 de junho de 2021 Bolsa de valoresÍndicesInvestimentos Básico

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Dólar cai 4% em maio, e segue em tendência de queda

Renan Mazzo

O dólar caiu 4,03% frente ao real em maio – saindo de R$5,44, para R$5,21. A divulgação de indicadores positivos da economia, a continuidade do ciclo de elevação da taxa básica de juros, e o aumento no preço das commodities no mercado internacional contribuíram para o desempenho positivo da moeda brasileira.

A cotação do dólar encerrou o mês abaixo do patamar projetado pelo último relatório Focus – de R$ 5,30 – para o fim de 2021.

A tendência de queda pôde ser observada no primeiro dia de junho, quando a moeda norte-americana se encaminhava para o fechamento com recuo de 1,31%, cotada a R$ 5,14. 

Retrospectiva de maio

No início da segunda semana de maio, o dólar já atingia a mínima do mês – R$5,19 – em meio ao segundo aumento consecutivo da Selic, que passou de 2,75% para 3,5% ao ano. Para além da elevação, o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou novas altas para os próximos meses.

Esse aumento na taxa de juros aumenta a atratividade dos investimentos em renda fixa no Brasil, cenário positivo para a entrada de capital estrangeiro no País. Esse movimento eleva a quantidade de dólares no mercado e, por consequência, o real se valoriza frente ao dólar.

Outro fator que contribuiu para a apreciação do real é o aumento no preço das commodities, especialmente do minério de ferro – um dos principais produtos de exportação do Brasil.

Também contribui para o recuo do dólar a percepção otimista dos investidores de que a retomada da economia acelere, e que o cenário político se mantenha estável, sem maiores turbulências.

Como o dólar mais baixo impacta os investimentos?

O otimismo do mercado financeiro com os eventos relacionados acima refletiu na Bolsa. O Ibovespa atingiu, em 28 de maio, o maior patamar histórico ao alcançar os 125 mil pontos.

No entanto, vale lembrar que o dólar é um ativo descorrelacionado das ações brasileiras. Ou seja, quando as ações brasileiras sobem, o dólar tende a cair, e vice-versa. Dessa forma, alguns ativos dolarizados apresentaram rentabilidade negativa no mês, mesmo com recordes históricos na bolsa americana.

E isso é uma oportunidade! Quando o dólar cai, é sempre um momento para adquirir ativos atrelados à moeda americana, uma vez que esses papéis ficaram mais “baratos” com a queda apresentada em maio. Sendo assim, é importante entrar em contato com seu assessor de investimentos para verificar as melhores oportunidades de acordo com o seu perfil de investidor.

Previsão para junho

A continuidade da retomada da economia no ritmo do desenvolvimento do plano de vacinação seguirão como parâmetros principais de influência na cotação do real frente o dólar. Se o cenário interno se mantiver positivo, os investidores externos tendem a se sentir cada vez mais confiantes para investir no Brasil – o que fará com que o real se aprecie ainda mais.

Sob o ponto de vista global, um importante ponto de atenção do mercado é a expectativa em relação à alta da inflação nos Estados Unidos como reflexo dos estímulos à economia promovidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Essa preocupação pode causar instabilidade no cenário mundial. Como consequência desse alerta amarelo, os investidores podem optar por retirar recursos de países emergentes, como o Brasil, o que pressionaria para cima cotação do real.

Além disso, as questões políticas devem seguir sendo acompanhadas de perto, especialmente o desenrolar da CPI do Covid, embora até agora esse movimento não tenha trazido impactos relevantes para o mercado financeiro.

Segue igualmente no radar dos investidores as tramitações de pautas relacionadas à reforma fiscal e administrativa no Congresso. Esses temas, somado à discussão em torno de privatizações de importantes estatais – como a Eletrobras – podem afetar a taxa de câmbio em junho, uma vez que os assuntos interferem diretamente na avaliação do Brasil pelos estrangeiros.