Como a alta dos juros dos EUA impacta o Brasil?

11 de janeiro de 2022 EconomiaInternacionalInvestimentos Básico

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Como a alta dos juros dos EUA impacta o Brasil?

Boris Bellini*–

Diante da forte repercussão de notícias sobre o banco central norte-americano, é natural que investidores questionem: o que isso causa no Brasil? O Fed (Federal Reserve) divulgou a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) e derrubou Bolsas do mundo todo na última quarta-feira (5) – o Ibovespa caiu 2,4% no dia.

Por um lado, o documento está alinhado com a expectativa dos investidores sobre o começo do aumento de juros em março. Por outro, se destaca a mensagem do Fed sobre a retirada de estímulos da economia antes do previsto. O programa de compra de títulos da autoridade monetária foi criado para conter os impactos da pandemia de covid-19 antes. 

Durante o ano passado, a instituição manteve a taxa de juros dos EUA perto de zero e injetou dinheiro na economia por meio da compra de US$ 120 bilhões mensais em títulos públicos e ativos com lastros em hipotecas. Quando adotou essas medidas, a carteira de ativos do Fed contava com US$ 4,7 trilhões – hoje está em 8,3 trilhões.

Como a alta de juros dos EUA impacta o Brasil?

Hoje, a taxa de juros dos EUA está entre zero e 0,25% ao ano, e a expectativa é que alcance 2% ao ano até 2023. Quando a taxa de juros sobe, investimentos de renda fixa oferecem retornos melhores. Essa classe de ativos nos EUA é muito procurada por investidores de todo mundo – principalmente as Treasuries, o Tesouro Direto norte-americano. 

São papéis que oferecem um nível de segurança altíssimo e, quando a remuneração oferecida por eles melhora, o país atrai investimentos. É um destino que pode servir a parte do capital estrangeiro atualmente alocado na B3

Vale destacar que os investimentos estrangeiros ocupam, historicamente, posição relevante no mercado brasileiro com mais da metade dos aportes. De acordo com dados da B3, em janeiro de 2022, no mercado à vista, a participação era de 53%.  

Países emergentes, como o Brasil, embora sejam considerados locais de maior risco, também oferecem remuneração atraente tanto na renda fixa quanto na variável. No entanto, quando os ativos norte-americanos passam a pagar  mais, a tendência é os investidores elevarem os aportes por lá para adicionar segurança às carteiras. 

Nesse cenário, mesmo o Brasil mantendo a taxa de juros em dois dígitos, como esperado – o Relatório Focus estima que a Selic feche 2022 em 11,75% – é esperada uma saída de capital estrangeiro. Hoje, 52,51% do volume negociado na Bolsa é dinheiro vindo de outros países. 

Desvalorização do real

A saída de investimentos estrangeiros do Brasil em direção aos Estados Unidos faz com que a moeda norte-americana se valorize perante o real. Com isso, o dinheiro brasileiro – que já está depreciado – cai ainda mais.

O real desvalorizado encarece insumos importados e aumenta os custos dos produtos para os brasileiros. Além disso, empresas que têm a opção de vender para o mercado interno ou para o externo optam pela exportação, o que diminui a quantidade de produtos circulando dentro do país. Além disso, a demanda por bens de consumo é impactada pelo aumento de juros, já que a alta na Selic encarece os financiamentos.

O desequilíbrio entre oferta e demanda pressiona os preços para cima – ou seja, gera inflação. O IBGE divulgou hoje o fechamento do IPCA de 2021 (principal referência da inflação no Brasil). Com aumento de 10,06%, o índice fechou o ano próximo ao dobro do teto da meta, que era de 5,25%. Atualmente, o Relatório Focus projeta aumento de preços em 5,03% neste ano.

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*Sob supervisão de Priscilla Arroyo